sábado, 24 de setembro de 2016

A busca pelo óleo ideal continua... Parte V


Boa noite, queridos leitores!

Inicialmente, peço mil desculpas a todos os que visitam este espaço democrático, ávidos por novas informações...
Há muito deixei de postar com regularidade e, tenho de assumir, tal desídia minha fez mal.
A distância dos leitores e amigos causa solidão aos que, como eu, gostam de escrever e de trocar experiências.
Mas, sem muitas delongas, tô de volta!
Fui nos EUA criar uma start up e tô voltando para o Brasil. E não sei se fico muito tempo por aqui, mas a vontade é ficar perto da família e ter mais tempo para escrever...
Então, começo este post com uma pergunta direta a todos vocês: Óleo de moto é mesmo diferente do óleo lubrificante dos automóveis ou estamos, mais uma vez, diante de uma escandalosa e bilionária reserva de mercado criada pelas perolíferas, para ganhar muito?
Quem se aventura a responder?
Lembremos, para efeito de reflexão, de um tópico anterior, em que desmistifiquei a questão dos fluidos utilizados nas transmissões 5G - Tronic, utilizadas nas Ssangyong Kyron.
Este tema foi tratado, de maneira muito complicada, nos idos do ano de 2008, sob este mesmo título - "A busca pelo óleo ideal continua..." -, no forum do sítio Motonline. 
No longínquo ano de 2008, eu acabara de comprar minha primeira motocicleta - uma Szuki Intruder de 125 cilindradas, apelidada de "Mulata" - e criei o polêmico tópico, no qual discorria sobre o grau de defasagem dos lubrificantes de motos acaso fossem comparados aos lubrificantes utilizados em automóveis.
Lembro-me de quando fiz a primeira postagem do tópico... Era o dia 25 de junho de 2008. 
A razão para a discussão existia. Afinal de contas, eu me deparara com a indicação, no manual da clássica Suzuki, adquirida zero quilômetro, de um óleo 20W-50, com grau de aditivação ainda no padrão "SG".



Acima, as primeiras fotos da minha primeira moto, a saudosa Suzuki Intruder 125, de cor preta, quando sequer havia sido emplacada.
Ora, ora, eu já utilizava, há tempos, nos meus carros, lubrificantes com padrão API no nível "SM" e não havia nada que justificasse que, na motoca novinha, eu viesse a utilizar um óleo defasado e com viscosidade tão alta.
Lá fui eu pesquisar sobre os lubrificantes de motos!
Tinha de entender porque havia diferença tão gritante entre mundos tão próximos.
Na verdade, comecei inicialmente a não entender o porquê de existir tamanha distância entre mundos tão próximos.
Parecia, na verdade, existir uma grande "reserva de mercado", para vendas de lubrificantes que não serviam mais para nada a preços altos.
Quem, afinal, em sã consciência, usaria, em um motor de automóvel, em pleno ano de 2008, um lubrificante com a aditivação de fins da década de 80 (o padrão "SG" vigeu entre os anos de 1989 e 1993)?
Sim, pois era essa a realidade do mercado de motocicletas.
Os lubrificantes tinham, em sua grande maioria, um padrão API absolutamente defasado, os prazos de troca de óleo eram exíguos (no máximo a cada 1.000 quilômetros) e a viscosidade era acima da média para motores de alta rotação e, em sua grande maioria, arrefecidos a ar...
Isso "cheirava" a baixa durabilidade, formação de resíduos e lucros exorbitantes, para lubrificantes com tecnologia deveras ultrapassada e custo de fabricação baixíssimo.
Fui logo verificar qual era a realidadedo mercado de óleos para motocicletas nos EUA.
Não havia como esconder a verdade: Os americanos estavam e ainda estão em outro nível de realidade mercadológica!
Lá nos idos de 2008, os consumidores americanos postavam no site "Bob is the oil guy" que, após análises técnicas dos lubrificantes em laboratório e após observações várias do comportamento dos motores e embreagens banhadas a óleo, estavam utilizando em suas motocicletas óleos do tipo heavy duty, de uso misto.
Inicialmente, postei no tópico os seguintes links para pesquisa:

www.bobistheoilguy.com/forums/ubbthreads.php?ubb=post list&Board=9&page=1

www.nightrider.com/biketech/oiltest1.htm

www.falcononline.com.br/forum/index.php?topic=3871.0

www.calsci.com/motorcycleinfo/Consumables.html

www.wootbike.com/articles.php?article_id=7&page=5

Hoje, alguns dos links já não funcionam mais, mas é curioso ler notadamente o segundo deles, em que há uma clara comparação entre óleos automotivos e óleos ditos "específicos para motos".
Todo em inglês, o artigo deixou claro para mim que as diferenças entre as duas classes de óleo estava mais na cabeça dos consumidores e nas embalagens do que propriamente na formulação dos lubrificantes...
Até a famigerada presença do molibdênio ("moly"), na formulação dos óleos, em percentual acima do considerado normal ou aceitável, como aditivo antidesgaste, que era tida como causa certa de patinação das embreagens banhadas a óleo, foi desmistificada nos artigos.
Minhas dúvidas, então, só aumentavam...
O Shell Rotella era a "bola da vez" por lá! Sintético (5W-40) ou mineral (15W-40), era barato, fácil de achar e com viscosidades em padrões dissonantes da medida clássica 20W-50, era o lubrificante que mais rendia nas motos e garantia longevidade aos motores refrigerados a ar e à água, acostumados às boas rodovias e ao combustível perfeito do Tio Sam.
Tá bom. Mas... E por aqui?
O que havia similar ou próximo ao Rotella?
E o tal "JASO MA", que obrigava todos a comprarem óleos com padrão API obsoleto, mas que eram "específicos de motos"?
O que era aquilo tudo?
Encontrei, em uma primeira análise, o Lubrax Top Turbo, como lubrificante de uso misto, do tipo heavy duty.
Era barato (coisa, na época, de uns R$ 7,00 {sete reais}...), tinha padrão API bem mais moderno ("SL") e a viscosidade saía do usual, pois se tratava de um óleo 15W - 40, utilizado em motores diesel de caminhões pesados.
A primeira observação que fiz foi que, após trocar o óleo da Suzuki Intruder novinha em folha pelo Top Turbo, nada demais aconteceu com a motoca. Nem a embreagem patinou, nem o motor fundiu... Nada! Nada de estranho aconteceu.
E, para variar, achei que a moto passara a funcionar melhor pela manhã e a andar notadamente mais solta, mesmo em se considerando que se tratava de um motor na chamada "fase de amaciamento".
Até os primeiros 800 quilômetros, a Suzuki e o seu manual me proibiam de ultrapassar as 5.000 (cinco mil) rotações por minuto, o que, em quinta marcha, resultava em incríveis 60 (sessenta) quilômetros por hora.
Pois é.
E rodei assim até os 3.000 quilômetros, sem que a moto apresentasse qualquer problema.
Sequer o consumo de óleo fora maior...
E o assunto foi parar no tópico do Motonline.
Até o dia 14 de maio de 2011, quando o tópico foi trancado por uma moderação desinformada, motivada que estava por questões pessoais e pela mais pura inveja, o número de visualizações, das 148 páginas totais, já havia alcançado a marca de meio milhão.
O assunto despertava paixões e, ao mesmo tempo, o ódio dos que nada sabiam e preferiam a postura pacata, passiva do consumidor leigo, que simplesmente pagava o que tivesse que pagar por produtos inferiores.
A minha moto, que se transformara em um laboratório particular, depois de quase três anos, rodara mais de 60.000 (sessenta mil) quilômetros com o Top Turbo e era incrível que eu continuasse a ouvir coisas do tipo "Olha, daqui a uns dez mil quilômetros o motor vai bater, viu!?!" ou "Veja bem, as embreagens banhadas a óleo vão patinar!", sendo que já ouvia tais previsões desde os três mil quilômetros iniciais do veículo.
Eu estava vendo que, no mercado bilionário das petrolíferas, mexer com interesses financeiros era correr riscos. Lá, no universo restrito do tópico, comecei a perceber que havia interesses outros por detrás das letras e palavras de discórdia de alguns usuários, e que os posicionamentos contrários tinham mais a ver com grana e com a tal "reserva de mercado" dos óleos ditos "específicos".
Havia, porém, um outro lado da estória! Bem mais legal, aliás!
As pessoas estavam se perguntando se realmente fazia sentido pagar mais por algo que podia custar muito menos e desempenhar a mesma função, porém de maneira muito mais eficaz, conforme as análises prosseguiam.
A própria indústria começou a reagir.
Mas este assunto vai longe e não quero transformar esta leitura em algo cansativo.
Volto em breve com novas considerações sobre o tema. E, desta vez, sem o risco de algum "moderador" brecar os raciocínios expostos.
Um beijo no coração de todos!!!

Xamã do Brasil. 

Um comentário:

  1. Nossa, como somos carentes desse tipo de informação.
    Parei no seu blog buscando mais informações sobre o óleo da direção hidráulica do meu carro que tem um código misteriosíssimo da montadora...
    Me deparei com esses textos riquíssimos.
    Parabéns, seu blog possui ótimas informações!
    Abraço!

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