domingo, 30 de outubro de 2016

Oportunidade única na internet... E lá vamos nós! Eu e uma motoca 125, zerada, sem placa, de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro - Parte III



Boa noite, queridos leitores!

A foto acima ilustra a minha chegada, a bordo da Sundown Max SE, à cidade mineira de Barbacena.
Antes da chegada à referida cidade, me dei o direito de tirar algumas fotos quando passava por Alfredo Vasconcelos, cidade pequena e que fica a coisa de 177 quilômetros de Belo Horizonte.


A visão da motoca e da placa da cidade pela qual passava. O autor deste blog queria documentar os momentos vivenciados a bordo da pequena Sundown Max 125, antes de a entregar para sua verdadeira dona.

Ao chegar em Barbacena, escolhi, como ponto de parada, um lugar que é referência na BR - 040, para almoços e jantares em viagens longas.
O lugar é bem conhecido e possui um posto de gasolina da Shell em seus arredores e foi neste posto que abasteci pela primeira vez desde que a viagem, rumo ao Rio de Janeiro, se iniciou.
A gasolina utilizada foi a Shell V-Power. Afinal de contas, precisa do efeito detergente constante do combustível aditivado. 
Lembro-me que o hodômetro da moto marcava apenas 191 quilômetros rodados e ainda havia combustível no tanque suficiente para rodar bastante, antes que fosse necessário parar para abastecer, mas preferi, naquele ponto da viagem, diluir ainda mais a sujeira que pudesse estar em suspensão na gasolina Podium que colocara em Belo Horizonte.
A Max SE, a esta altura, já andava melhor, bem mais disposta... O que me preocupava, agora, era o barulho da batida das válvulas, por volta dos 6.000 rpm. Estava alto demais. Talvez mais uma outra e desagradável consequência da ausência de uma revisão de entrega feita com critério.
Daí a opção por forçar o motor o mínimo e evitar giros mais altos do que os 6.500 rpm em quinta marcha, quando eu obtinha cerca de 85/90 quilômetros por hora no velocímetro.
A velocidade de cruzeiro, diga-se de passagem, era de 80 quilômetros por hora, a cerca de 6.000 rpm...
Tive a sorte de estacionar a motoca bem ao lado de um Chevrolet Opala coupé, de cor azul, quatro cilindros (motor 151), todo restaurado, no estacionamento da lanchonete/restaurante. Foi uma imagem bonita e que fiz questão de guardar.
O que não foi nada bom foi o atendimento no local.
Um pouco cansado e com a região lombar doendo horrores, ao adentrar na lanchonete - cujo design é bem peculiar -, recebi, logo de início, um "Ôôôôôôô, cara! Vai querer o quê, hein!?!".
Eu estava caminhando em direção ao banheiro do estabelecimento e respondi à moçoila, que me olhava do balcão, o que me veio à cabeça...
Disse, simplesmente, um "Inicialmente, a primeira coisa que eu quero é ser bem atendido!".
Adentrei o banheiro, lavei o rosto e as mãos e, ao retornar ao saguão da lanchonete, me restringi a pedir e a tomar um café expresso.
Deixei o local mais rápido do que imaginara e voltei à estrada.
Meu ponto de parada, agora, ainda sem o tão sonhado almoço, seria no Graal do município de Juiz de Fora, às margens da estrada, apenas a algumas centenas de quilômetros do meu amado Rio de Janeiro.
Sem querer desmerecer Minas Gerais, mas já me saltava aos olhos que minha "frequência" não estava batendo muito com o humor típico mineiro, naquele momento.
Sobre a questão que me vinha à cabeça, a todo instante, e que dizia respeito à viabilidade da aquisição da moto pelos R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais), parcelados, respondo, no exato momento em que escrevo este post, categoricamente, o seguinte: Só valeu à pena pelo fato de eu ter chegado em casa e, em função de entender alguma coisa acerca de carros e de motos, ter consertado mais de vinte (!!!) itens no veículo, antes de o entregar à esposa.
Isso mesmo, amigo leitor! Havia muita coisa errada na montagem e regulagem da motoca.
Para um leigo, que tivesse a impressão de estar comprando uma motocicleta nova e sem detalhes, digo e repito: Jamais faça o que fiz! Jamais entre em uma roubada dessas!!!
O barato sairá caro, em um curto espaço de tempo.
E o vosso suado dinheiro terá sido gasto em vão, em algo que dará muitos prejuízos.
Mas... Vamos voltar à viagem e ao seu deslinde.
Deixei a cidade de Barbacena, com o tanque lotado de V-Power misturada à Podium, e segui em frente, mantendo a velocidade média sempre na faixa dos 80 quilômetros por hora, com direito a picos de 85/90 quilômetros nos declives.
Haja emoção!
A Sundown Max se revelou uma moto macia, no que concerne à suspensão. Não é dura como as CG. Desagrada, porém, o curso muito curto da suspensão dianteira que, apesar de macia, como mencionei, chega ao final de curso fácil e dá uma impressão de "batida seca" e, consequentemente, infunde no condutor certa noção de fragilidade.
Uma Suzuki Intruder, nesse aspecto, é muito mais bem resolvida.
A própria CG 160 o é...
Ajuda, também, no conforto de pilotagem o fato de ter a embreagem muito macia. É verdade que me chateava o fato da embreagem estar trepidando muito nas arrancadas, em uma moto que sequer havia chegado aos 300 quilômetros rodados. Mas eu já sabia que havia um motivo para a trepidação e que tal motivo residia no fato do cabo estar completamente solto, após ter sido montado da maneira errada.
Os pneus diagonais, belos em desenho e da desconhecida marca Rottyre, revelaram-se bons companheiros de viagem, mostrando maciez e boa aderência nas muitas e perigosas curvas da BR - 040. Foram calibrados como se a moto fosse rodar com garupa, com 26 e 34 libras, na dianteira e na traseira respectivamente, o que foi um erro só notado após eu deixar o autocentro em Belo Horizonte para trás.
Com uma calibragem de 25 libras na dianteira e 29 libras na traseira, conforme explanado em adesivo colado na bandeja da suspensão traseira da Max SE, a viagem teria sido mais confortável e a moto teria se revelado ainda mais macia.
Algumas horas depois de tais conjecturas, cheguei finalmente ao ponto de parada colimado: o Graal de Juiz de Fora.
Era hora, finalmente, de parar a moto, descansar as costas e comer alguma coisa.

A chegada em Juiz de Fora me animava ainda mais, pois faltava pouco para estar em casa. O comportamento da moto já se aproximava mais do que seria o normal para um veículo novinho em folha. O que "matou" foram os preços cobrados por uma refeição simples no Posto Graal... 


Escolhi uma mesa isolada, em meio às poucas pessoas que estavam no local. No prato, optei por mais salada e menos carne, dando-me o direito de degustar um pequeno pedaço de salmão... O ar-condicionado e a limpeza do restaurante me acalmaram ainda mais.
Mas... Os R$ 34,00 (trinta e quatro reais), cobrados por cerca de 400 gramas de comida, me tiraram boa parte do prazer da parada.
Que coisa horrível é precisar de serviços, no Brasil de hoje, em meio a uma estrada longa como é a BR- 040!
Descansei, enfim, por cerca de meia hora.
Bebi uma água geladíssima para abaixar a temperatura do corpo e da mente e seguir em paz o restante do caminho. Uma Brahma gelada, à beira-mar, teria sido melhor, mas não era exatamente o mais certo a se fazer quando se ia encarar uma estrada perigosa e com uma moto 125, de modo que deixei a ideia em segundo plano... O final da tarde com sol - lindo, por sinal -, depois de enfrentar quase que todo o trecho de estrada, até ali, com tempo nublado, já me adiantava que enfrentaria a escuridão da noite e a situação do farol da moto, virado para a lua, não me animava em nada.
Pensei em tentar achar uma chave 12, para a regulagem do farol antes de continuar, mas o fator tempo falou mais alto... Quanto mais tempo parado, mais tarde chegaria em casa.
Mesmo precisando relaxar mais um pouco, paguei a conta e voltei para a estrada.
A surpresa veio logo que me acomodei na Sundown e dei a partida.
O motor não mantinha a rotação.
Ligava e, com o acelerador acionado, falhava, falhava e, depois, apagava.
"Putz! Tô lascado!!!", pensei.
É... A sujeira do carburador estava fazendo a sua parte.
Desci da moto, coloquei o mochilão no chão e parti para única solução que me cabia tomar naquele momento: Limpar os giclês com pressão de ar, após esvaziar a cuba do carburador.
No jogo de ferramentas que levei comigo, para a instalação da antena corta-pipa, havia uma chave de fenda que me permitiu abrir o parafuso de dreno da cuba do carburador. E assim fiz!
Fechei a torneira do registro do tanque de combustível e drenei o combustível que havia na cuba, após colocar a moto por sobre o cavalete central.
Fechei o dreno e, após voltar a moto para a posição normal, apoiada na lateral, caminhei com ela até onde havia um calibrador de pneus, próximo às bombas de abastecimento do posto do Graal de Juiz de Fora.
Retirei, com alguma dificuldade, a mangueira que sai do registro do tanque de combustível e que conduz a gasolina para o carburador. Já sabia que, pelo fato de ter esvaziado a cuba, o estilete estaria aberto e passível de admitir ar, sob pressão, que fosse injetado por meio da mangueira de combustível.
Desloquei a pequena mangueira de borracha, que também serve de dreno da cuba, quando há problemas de estilete travado aberto (e eu sei bem o que é isso...), e o coloquei ao lado da mangueira que faz o papel de respiro da cuba do carburador. Tranquei as duas mangueiras, ao mesmo tempo, com os dedos, de modo que, se ar fosse injetado sob pressão no carburador, este só tivesse um lugar para sair: os próprios giclês.
Isto, em suma, forçaria o desentupimento dos mesmos, com ênfase no giclê de baixa, que é menor e receberia mais ar em comparação ao giclês de alta, cuja agulha se encontrava, naquele momento, na posição mais baixa, quase fechada.
Com a ajuda de um frentista solidário, que fez, com a própria mão, a junção da mangueira de enchimento de pneus e da mangueira de combustível da moto, o calibrador de pneus foi acionado na função "pneu vazio" e mandou um jato de ar, sob pressão, para dentro do carburador.
Como eu pensei que aconteceria, a mangueira de respiro da cuba se soltou do lugar, não suportando a pressão exercida no interior do carburador e me obrigou a nova tentativa, desta vez fechando, o orifício em que a mencionada mangueira se fixava, com um dos dedos.
Nova tentativa e, realmente, o barulho de pressão negativa, na caixa do filtro de ar foi grande.
Saiu bastante ar por ali, sob pressão.
Fiz o procedimento mais uma vez, a pedido do próprio frentista do posto, que me disse o seguinte: "Se ainda estiver entupido, com este jato a mais você garante que vai chegar em casa...".
Mais um típico "gente boa", no meio da estória.
Recoloquei as mangueiras do dreno e do respiro da cuba nos seus devidos lugares/poisções e encaixei de novo a mangueira de combustível no registro do tanque.
Aberto o registro, foi só acionar o motor de partida para o pequeno motor Qingqi, de 125 cm³ e pouco mais de 11 cv (tinha 12,5 cv até a adoção de catalisador, na linha 2011, quando perdeu potência e foi estrangulado, para poluir e gastar menos...), cópia fiel dos Honda "varetados" de CG Today, dar as caras, mantendo a rotação de marcha-lenta e funcionando quetinho.
Bingo! Era mesmo o giclê de baixa!!!
O frentista e o gerente do posto riram, olhando para mim.
Nunca haviam feito aquilo e acharam a solução adotada muito prática e rápida para a solução de um problema recorrente em motocicletas.
Tempo perdido em mais esta armadilha do destino: 33 minutos...
Voltei para a estrada.
Ultrapassei logo o acesso ao município de Três Rios e caminhei, na emoção dos 80 quilômetros por hora, em direção à serra de Petrópolis.
Para mim, era o pior trecho de toda a BR - 040.
E a noite chegou. Junto com ela, o frio da serra onde fica a cidade imperial...
"Pô, tá foda isso aqui! Não fica bom um minuto sequer!", pensei em voz alta.
O casaco que levei comigo na viagem, apesar de eficiente e com bordas de couro, não conseguia sozinho dar conta do frio intenso que fazia naquele início de noite de céu limpo na região de Petrópolis. Pensei que fosse trincar os dentes, de tanto que os lábios tremiam com o frio.
Sem uma iluminação boa da pista, por conta do farol totalmente desregulado, me concentrei em ficar a uma distância razoável da traseira de carros que estivessem na faixa da direita, me aproveitando, então, do facho dos faróis dos mesmos.
Assim fiz e deu certo.
Mantendo velocidade razoável e sem perder o contato com os veículos que iam a minha frente na descida da serra, consegui chegar à entrada de Xerém, na baixada fluminense, onde a temperatura já era bem mais elevada e eu já conseguia sentir certo conforto. É bem verdade que as costas doíam, a cabeça já doía, e as pernas estavam anestesiadas pela vibração do motor, transmitida ao apoio dos pés, mas a vitória de chegar em casa, são e salvo, estava muito próxima.
Menos de 100 quilômetros me separavam, naquele momento, do calor e conforto de casa.
Paguei o antepenúltimo pedágio da viagem e segui em frente, com a moto rendendo bem, em direção à BR - 116, no trecho que dá acesso à serra de Teresópolis, pois precisava acessar a rodovia Manilha-Magé para chegar à Niterói, meu destino final.
Optei pelo desvio, em questão, para evitar a travessia da ponte Rio-Niterói em horário de movimentação intensa de veículos. Sabia que estava pilotando a horas e que estava com mais prática na condução da motoca, mas reconheci minha incapacidade, naquele momento, de lidar com corredores infinitos em meio a um trânsito caótico.
O cansaço do corpo contou muito para a minha reflexão.
Esperava fazer a viagem em cerca de 08 horas, no máximo. Àquela altura, já tinha mais de 10 horas de estrada e nada de chegar em casa.
Iria rodar mais até chegar onde queria, mas estaria mais tranquilo e mais seguro.
O tanque de combustível já indicava a entrada na reserva, que foi corrigida com uma abrupta mudança na posição da torneira do tanque. O indicador do nível de combustível me impressionava, a todo instante, com a precisão na marcação do nível da gasolina. Digital e de formato simples, com informação sendo dada por meio de barra horizontal de leds azuis, embutida no interior do tacômetro, funcionou muito bem durante todo o percurso.
Enfim, antes de entrar na rodovia Manilha-Magé, paguei mais um pedágio caro, o penúltimo, na BR-116.

Mapa da viagem

Continuei minha ilíada, tendo direito a mais um abastecimento de gasolina V-Power, após rodar cerca de 30 quilômetros na reserva, em um posto localizado ao final da BR-493, que é a própria rodovia Manilha-Magé. O tal posto Shell já fica na localidade de Manilha e, depois dele, acessei a BR-101, no último trecho antes de chegar a Niterói.
Enfim, o último pedágio!
Haja dinheiro para rodar de um lugar a outro hoje em dia!!!
Cheguei em casa por volta das 21 horas.
Estava exausto. Mas estava muito feliz comigo! Fiz o que havia planejado e tudo dera certo, apesar dos pesares.
Fui recebido por minha mulher, que não acreditava no que via.
Assim que entrei na garagem da casa em que moro, desci da moto e entreguei as chaves a ela.
O presente fora entregue! No hodômetro, a marca da viagem: 513 quilômetros.
A felicidade lhe saltava os olhos.
Ela me pediu para sair "rapidinho" com a moto, para "sentir" o veículo novo, mas a ausência de placa e a presença da Polícia Militar nas ruas próximas não encorajavam tal atitude. Pedi a ela que aguardasse até o emplacamento da Sundown Max prata.
No dia seguinte, primeiro dia da moto em solo niteroiense, fiz duas fotos para me lembrar do esforço conjunto - meu e da moto - para chegarmos bem em casa:


A chegada em casa foi marcada por muito alegria. Sabia que muitos já haviam feito o que eu fizera, mas a satisfação de ter conseguido pilotar com parcimônia, após tanto tempo longe e inativo, me fez sentir muito bem. Teve gosto de superação.

Era apenas o início de uma estória que vem rendendo.
A Max , agora, durante o seu primeiro dia nas mãos da dona nova, passava pela minha análise visual em busca de defeitos ou falhas de montagem.
E foi aí que o bicho, literalmente, pegou.
Tinha muita coisa montada de forma errada na moto!
A primeira decepção foi encontrar a cobertura plástica do pólo negativo da bateria ancorada na tampa lateral esquerda da moto, rompida, prestes a cair no chão...
Seguem as fotos:

A sutil seta vermelha indica que a cobertura plástica do pólo negativo da bateria estava rompida e fora do lugar, prestes a cair no chão. Estava ancorada na parte inferior da tampa lateral esquerda da moto.

A cobertura do pólo negativo da bateria em destaque, já na minha mão e rumo à instalação correta, no lugar de onde nunca deveria ter saído.

A estória terá apenas mais um capítulo.
No próximo e último post relacionado à moto, enumerarei os defeitos encontrados e a solução dada para cada um deles.
Antes de finalizar este histórico, porém, volto a afirmar o seguinte: A aquisição de uma moto, da forma como foi feita, é um risco para o consumidor leigo, que não detém conhecimentos específicos sobre o veículo.
Não vale à pena!
Depois da viagem, após uma análise criteriosa da Sundown Max 125, cheguei à triste conclusão de que correra riscos durante a viagem e que poderia não ter chegado em casa da forma como cheguei.
Só esta análise, por este ângulo, me fez concluir que a necessidade de uma revisão criteriosa de qualquer veículo, antes de sua entrega ao consumidor, é fundamental para a segurança de quem compra e para a garantia de utilização sadia do produto adquirido, o que não aconteceu comigo.
Sequer a suposta "garantia", prometida pelo vendedor, segundo a qual seriam ressarcidos eventuais gastos com consertos, foi honrada...
Mas isto é assunto para o próximo post.

Um beijo enorme no coração de todos,
Xamã do Brasil.

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