domingo, 18 de junho de 2017

Uma moto barata... Depois dos primeiros 7.000 quilômetros, fica a pergunta: Valeu à pena?


Boa tarde, meus queridos leitores!

Tudo bom com vocês?
Espero e desejo que sim.
Lembram da Sundown Max 125, prata, que comprei para presentear a patroa?
Fui buscar a mesma em Belo Horizonte e encarei uma viagem "tensa" para o Rio de Janeiro...
Lembram?
Pois é... Lá se vão os primeiros sete mil quilômetros de uso e mais de um ano desde a data de aquisição da motoca.
Como ela ficou? 
O que aconteceu com ela? 
Como ela está hoje?
Farei um breve review do período de uso da motocicleta, com os prós e contras da compra deste veículo, que custou barato, mas veio para a família com uma série de defeitos para serem resolvidos.
Ficou a pergunta no ar: Valeu à pena?
A moto se revelou eficiente em sua função mais basilar?
Será que se trata de veículo que vem cumprindo com suas obrigações sem apresentar defeitos recorrentes?


Sim.
A moto da Sundown, de 125 cilindradas, que custou apenas R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais), adquirida zero quilômetro no mês de maio de 2016, vem sendo uma grata surpresa, após a revisão por que passou aqui mesmo, na casa deste que vos escreve, com a troca de algumas poucas peças, e mais alguns ajustes mecânicos importantes.
A moto chegou ao Rio de janeiro, após uma viagem de mais de 500 (quinhentos) quilômetros, oferecendo riscos ao seu condutor. Tinha defeitos escondidos por uma montagem porca, descuidada, que poriam fim ao motor e a outras peças vitais em pouco tempo, acaso não recebesse imediata atenção.
Vejamos os defeitos que a moto tinha - além dos enfrentados e resolvidos no caminho de vinda - e que passaram despercebidos na viagem inaugural ao Rio de Janeiro:
1º) Eixo dianteiro e traseiro frouxos, sem o devido aperto;
2º) Conduto de ar, que une a caixa do filtro de ar ao venturi do carburador, completamente solto (motor aspirava ar sem a devida filtragem, funcionando como se a moto não tivesse filtro de ar. A braçadeira estava completamente solta e o conduto deslocado para trás, sem a devida junção com o carburador... Vide fotos abaixo);




3º) Cabos elétricos, que saem do sensor do freio traseiro, passados por fora do chicote original da moto, sem qualquer proteção ou fixação adequada (vide foto abaixo);



4º)  Bateria completamente solta, sem a cinta de fixação que a prende à caixa onde fica alojada;
5º) Fusível central e seu chicote completamente soltos, encostando na lateral direita da bateria que, por sua vez, também estava completamente solta, conforme enunciado acima (vide foto do conjunto bateria e fusível, já devidamente fixados em cinta nova, usada em Honda CG);



6º) Pontos de ferrugem e "raspados" em profusão pelo chassis da motocicleta;
7º) Filtro de ar com a espuma se desintegrando e pedaços se espalhando pela caixa do filtro de ar (pedações de espuma só não foram aspirados pleo motor em razão de existir uma tela plástica, bem fina, entre a caixa e o conduto que leva o ar filtrado até o venturi do carburador...);
8º) Cabo de embreagem sem a fixação feita de modo correto, o que fazia com que a embreagem trepidasse ao ser acionada (vide foto abaixo, onde a porca e a contra-porca estão montadas do mesmo lado do cabo e não fazem a fixação correta do mesmo);



9º) Óleo do motor completamente degradado (provavelmente, ainda era o óleo de montagem do motor, datado de 2013...);
10º) Vela de ignição de especificação errada e com eletrodo central já gasto, com folga inadequada (a que estava na moto era uma NGK D8EA, quando a vela de ignição correta seria uma DPR8EA-9);



11º) Respiro da cuba do carburador com mangueira curta demais e rasgada, virada para baixo (se transformou em uma espécie de entrada fácil para qualquer tipo de sujeira na cuba do carburador);
12º) Porcas e contra-porcas de regulagem da tensão da corrente folgadas (perigo muito grande de deslocamento da roda traseira para trás, ainda mais se levado em conta que o eixo da própria roda estava frouxo...);
13º) Retentores de bengala com problemas de vedação (ambos tiveram que ser trocados, juntamente com o óleo das canelas);
14º) Estator com parafuso central folgado, no que resultava um barulho estranho, caracterizado por "batidas secas", dentro do motor (cheguei a desconfiar de discos de embreagem e, até, de que o motor estava chegando já ao seu final de vida...);
15º) Mangueira do respiro de óleo do motor rompida logo acima de sua borboleta de fixação ao bloco do motor, conforme mostra a foto abaixo:



Estas falhas de montagem, de acabamento, e os defeitos da motocicleta, somados aos defeitos percebidos durante a viagem de Belo Horizonte à cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, resultam em um total de mais de 20 problemas verificados, o que soa impensável para um veículo que estava sendo oferecido no site OLX para qualquer pessoa, no que se incluem as completamente leigas no assunto. 
Ou seja, para um leigo em mecânica ou para uma pessoa que desconhecesse completamente o funcionamento de uma moto, que adquirisse um veículo de baixo custo como o meu, para o uso diário, os problemas não demorariam muito a aparecer e, certamente, custariam caro para serem resolvidos.
A moto foi desmontada e vagarosamente observada após a chegada em Niterói/RJ.
Foi a partir daí que as falhas começaram a aparecer.
Já sabia, de antemão, que teria de desmontar completamente o carburador, regular as válvulas de admissão e de escape e que teria de fazer várias verificações outras, como a questão da vela de ignição e da fixação do chicote elétrico do veículo. A verdade é que tinha acabado de comprar, nos idos de 2016, um veículo adquirido em lotes, em leilão da massa falida da finada fábrica da Sundown, que pertencia ao falido grupo "Brasil em Movimento".
E isso não cheirava a boa coisa quanto à qualidade da montagem da motocicleta.
No final das contas, percebi que fora um milagre conseguir rodar inicialmente mais de 500 (quinhentos) quilômetros com a moto, sem enfrentar problemas maiores ou, até mesmo, uma eventual queda.
Por essa razão desaconselhei, em postagem anterior, datada ainda do ano de 2016, a aquisição de uma moto como a minha, da forma como fiz... Para uma pessoa leiga e até mesmo para a minha pessoa, significou um risco a mais e que não deveria ter sido enfrentado.
Bom, mas e aí?
A moto foi consertada em todos os pontos verificados?
Sim, ela foi.
Eu mesmo fui fazendo os ajustes e os consertos, no decorrer de uma semana.
Exemplo disso foi que tratei até dos pontos de corrosão e dos arranhados profundos que encontrei no chassis da moto. Para isso, usei lixa, fosfatizante, primer e esmalte sintético preto brilhante, o que deixou o quadro com cara de novo.
Os parafusos do quadro, aliás, tiveram que ser todos reapertados, da mesma forma como foram os parafusos de fixação dos eixos das rodas dianteira e traseira.
O chicote do sensor do freio traseiro foi literalmente "escondido" dentro de um tubo plástico flexível, conhecido como "macarrão", e que comprei a metro, em uma boa loja de autopeças... 
Uma falta de cuidado com a montagem, como se vê, bem barata de resolver.
A vela de ignição foi substituída por uma nova e de especificação correta. A que estava na moto, com menos de 1.000 quilômetros rodados, já apresentava carbonização excessiva e desgaste do eletrodo central perceptível, o que me deixou deveras preocupado com a situação da mistura ar/combustível.
O cabo da embreagem foi, enfim, fixado e regulado da maneira correta. 
O carburador foi completamente desmontado, em um trabalho que gastou muito descarbonizante e querosene, para uma perfeita limpeza de giglês e dos canalículos internos da peça. O ajuste final, já com o motor quente, levou tempo e me custou um pouco de paciência, eis que demorei um pouco a achar a mistura ar/combustível que julgava ideal para o motor.
As válvulas foram, de igual forma, reguladas com a necessária precisão de um calibrador.
No que diz respeito ao filtro de ar de espuma, cujo material estava se desfazendo, optei por um filtro de ar de elemento seco, de papel, da marca Valflex. A peça, que custou incríveis R$ 15,00 (quinze reais), utilizada é a destinada à Suzuki Yes 125, mas cabe com perfeição na caixa do filtro de ar da Sundown Max. 
Ao que parece, o quadro da Yes e da Max é o mesmo e algumas das peças, como a caixa do filtro de ar, são também idênticas.
Mas o que me deu mais trabalho, de longe, nos reparos que fiz na moto, foi a substituição dos retentores das bengalas e conseguir encontrar o defeito na porca central do estator, que estava folgada e fazia um "toc toc" irriante no interior do motor.
Foi durante a regulagem das válvulas, quando tive que abrir a pequena tampa que fica no centro da lateral esquerda do motor, que verifiquei que a porca central de fixação do estator estava solta, com uma folga enorme. Eu simplesmente girava a porca, sem girar o estator e, consequentemente o motor como um todo, dada a folga existente...
Vejam só o tipo de defeito que tive de descobrir!
Antes de achar o defeito propriamente dito, percebera um ruído estranho no motor, acompanhado de um barulho estranho nas válvulas, iniciado por volta dos 4.500 rpm.
Quanto ao óleo do motor, adotei o Lubrax semissintético, de especificação 10W - 40, que acabou se adequando bem ao uso em trânsito pesado da moto e às constantes partidas a frio do motor.
Feitos os reparos, a moto começou a rodar bastante, sob observação constante, seja na cidade de Niterói, em meio a um trânsito louco, como também em pequenos passeios pela região dos lagos, nos arredores do mencionado município.
Passados mais de doze meses desde a aquisição, o que deu defeito na motoca?
Pouca coisa.
Os parafusos de fixação do espelho protetor do escape, que é uma peça cromada e que fica sobre o tubo do escapamento, se soltaram e um aperto foi suficiente para resolver o problema. Uma lente de um dos piscas se quebrou, após a moto transitar por piso de paralelepípedo, e foi substituída por uma nova, ao custo de R$ 10,00 (dez reais).
E foi isso!
O que tenho a dizer da moto, segundo relatos de quem mais anda com a Max, é que se trata de uma moto fraca, em termos de motor. São, afinal de contas, apenas 10,87 cavalos e menos de 1 quilograma força de torque. A relação final longa é um outro problema, que piora a questão da falta de potência e torque do motor Qingqi de 125 cilindradas, apesar de garantir menos rotação ao motor ao longo de sua vida útil.
No que tange à economia de combustível, não há muito também o que se dizer.
A média de consumo, em uso urbano, é de aproximadamente, 31 quilômetros por litro de combustível, o que não é nada de excepcional, se levados em conta o tamanho do motor, o baixo peso da moto e de sua proprietária e o fato de ainda se tratar de um motor carburado.
Enfim, como meio de transporte em centro urbano, sem garupa, cumpre a sua função.
Não se trata porém, de veículo apto a longas viagens e ao uso com garupa, dada a inadequação de seu motor com maiores cargas.
Pelo preço que foi pago e por se tratar de um veículo zero quilômetro, pode-se dizer, hoje, que, após a revisão realizada e dos defeitos terem sido todos sanados, que a Sundown Max valeu à pena.
Entrou para a família e e para o grupo de veículos que a servem de maneira tímida, mas válida.
Custa pouco para manter e o valor de IPVA, perto dos dispendidos com os demais carros e com a outra moto da casa, é o menor, restando inferior a R$ 300,00 (trezentos reais) por ano, já incluído o valor do Seguro Obrigatório.
Enfim, este é o review.
Repito que não aconselharia, de forma alguma, para um leigo a aquisição de uma motocicleta da forma como fiz, pelos vários motivos já apontados, mesmo em se levando em conta apenas o valor inicial de aquisição do veículo.
Os riscos são grandes.
No meu caso, tive um misto de oportunidade e de sorte com a moto, que não veio com falhas mais graves e caras de resolver.
Garantia?
Não houve!
Como narrado em várias postagens anteriores, enfrentei alguns problemas mais explícitos durante a viagem de Belo Horizonte à Niterói e nenhum deles foi coberto/ressarcido pelo vendedor da moto. Este, inclusive, após um primeiro contato telefônico meu, no qual narrara os contratempos enfrentados, deixou de atender às ligações posteriores e mentiu descaradamente ao me prometer, após o mencionado primeiro contato telefônico, que faria o reembolso das quantias por mim dispendidas durante a viagem.
Detalhe: Foram quantias pequenas, que não chegaram a R$ 50,00 (cinquenta reais)!!!
Vejam, a seguir, em sequência, a foto da peça que quebrou e que foi trocada durante a viagem, a foto da peça nova (já instalada na motocicleta) e fotos da relação de peças trocadas e dos valores pagos pelas mesmas, constantes da nota fiscal gerada pelo Concessionário Honda Easy Way Motos, do município de Conselheiro Lafaiete, estado de Minas Gerais:

 




Pouca coisa, mas nenhum dos valores foi ressarcido...
Ou seja, se eu tivesse enfrentado problemas graves de motor, teria certamente que entrar na justiça para conseguir obter os valores do vendedor da moto.
Será que isso valeria à pena?
Bom, são estas as considerações que faço sobre o negócio como um todo.
Deixo, aqui, para a reflexão de vocês, queridos leitores, mais um post e prometo, em breve, um que tratará de um assunto que há muito iniciei, mas que não conclui.
Garanto que será tratado com muita profundidade o tema "biodiesel" e, de igual forma, abordarei uma forma moderna e eficaz de evitar problemas nos modernos motores diesel das picapes e caminhões atuais.

Um beijo grande no coração de todos,
Xamã do Brasil.

2 comentários:

  1. Nossa cara. Quanta dificuldades. E mesmo assim vc n desistiu... Parabéns!!!. Vc tira todo aqueles preconceitos q moto precisa de marca. Moto precisa de um bom gestor, administrador de seus componentes!!!! Parabéns Edu

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    1. Valeu Galdino! Obrigado por vistar este espaço e peço que ajude a divulgar o blog para os amigos e familiares! Um abraço grande!!!

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